"O systema que se funda na imitação do som, denominado orthographia phonetica, não tem outro principio regulador senão o capricho individual, e as suas regras pertencem ao dominio da imaginação. Hoje os grandes philologos não se occupam d'ella. Os phonetistas, em face da actual sciencia linguistica, representam o papel dos alchimistas da edade media em busca da transformação dos metaes.
[...]
A orthographia phonica apresenta o esqueleto da palavra, a orthographia erudita mostra-nos o verbum tal qual elle viveu no vigor e brilho da sua existencia.
A orthographia sabia fala á intelligencia e ao coração, a phonica apenas se dirige ao sentido de audição.
[...]
Convencidos d'estas verdades assentámos escrever:
1.° As palavras de origem popular com os elementos populares, embora a palavra d'onde haviam sido tomadas apresentem outros elementos.
2.° As palavras de origem erudita com os elementos etymologicos, que teem na sua origem propria.
3.° As palavras scientificas e historicas, consideradas termos cosmopolitas, com a fórma universalmente seguida. "
F. J. Caldas Aulete, no prefácio da primeira edição do Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, ou Diccionario Contemporaneo da Lingua Portugueza.
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