Sacrilégio Injustificado

    Em pleno domingo de páscoa leio uma matéria num blog falando sobre a páscoa e sobre como a história de Jesus se sacrificar e ressuscitar depois é "a história mais besta já contada": http://scienceblogs.com/pharyngula/2010/04/sunday_sacrilege_the_silliest.php .

    Bem, não que eu acredite piamente em toda a história, mas creio que não seja uma historinha besta. Na verdade, é uma história que mudou radicalmente a história do mundo. Os argumentos do autor da matéria são tão fracos que até eu posso refutá-los, quem dirá um especialista sério em teologia (coisa rara...).

    Primeiramente, mesmo não sendo cristão, eu tenho que admitir que a história de Jesus é extremamente forte. Imagine, numa época em que não existiam conceitos como caridade, igualdade e amor ao próximo, vir um carpinteiro de não-se-sabe-onde dizer que os ricos devem dividir suas riquezas com os pobres, todos os homens são iguais e que devemos amar uns aos outros. Isso deve ter sido extremamente chocante para a época e não me admiro de que as palavras desse "profeta da Galiléia" tenham tocado tantas pessoas humildes. Vou contar o que eu acho que aconteceu. Provavelmente não foi exatamente da forma que eu vou contar, mas gosto de acreditar que foi mais ou menos assim.

    É provável que os sacerdotes judeus, supersticiosos e ao mesmo tempo profundos conhecedores da religião judaica, tenham se chocado com o fato de Jesus ter se auto-proclamado o "filho de Deus" e estar ganhando mais seguidores a cada dia. Isso provavelmente não encontrava base em suas escrituras e eles tinham que, em sua superstição, destruir esta seita herética o quanto antes. Por isso armaram para prender Jesus e fazer com que o procurador da Judéia, Pôncio Pilatos, o condenasse à morte, visto que eles próprios não tinham autoridade nem coragem para fazê-lo. Digo coragem porque, se o fizessem, criam eles, certamente provocariam uma guerra civil na palestina entre cristãos e judeus não-cristãos. Eles precisavam do apoio dos romanos nesta decisão para que não houvesse tal guerra.

    Por sua vez, Pôncio Pilatos também não queria confusão na sua procuradoria. Ele sabia que a palestina era uma região bastante problemática desde sempre (e continua sendo até hoje). E não queria ter que enfrentar fanáticos religiosos por causa da morte de seu líder. O que ele fez? Não quis se responsabilizar pela morte do líder de uma seita de fanáticos que poderiam dar imensos problemas pra ele. Lavou as mãos e fez Jesus ir a júri popular, depois de lhe dar umas chibatadas. O resultado, todo mundo sabe.

    Provavelmente alguém roubou o corpo de Jesus de sua tumba e espalhou o boato de que ele tinha ressuscitado. É fácil fazer várias pessoas humildes, supersticiosas e desesperadas acreditarem nisso, se a coisa  for razoavelmente bem feita.

    E a coisa foi muito bem feita. Essa não é uma história besta; pra mim faz bastante sentido. E digo por quê. Sem o sacrifício de Jesus, simplesmente não haveria cristianismo. E se o cristianismo é o único meio de chegarmos ao paraíso e sermos salvos, então é um sacrifício muito justificado, ao contrário do que a matéria do começo deste post diz. De fato, Jesus sofreu e morreu para que conhecêssemos a "verdadeira religião" e pudéssemos assim ser salvos. É um ato de extremo auto-sacrifício: sacrificar-se pelo bem da humanidade inteira.

    Além do mais, o sacrifício de Jesus não é nem a morte em si. Se fosse uma morte rápida e indolor, realmente não haveria qualquer sacrifício, pois ele sabia que iria reviver. A morte teve que ser lenta e extremamente dolorosa. A pior das mortes que possa ser aplicada a uma pessoa no Império Romano: o flagelo romano seguido da crucificação. Sinceramente, dizer que foi tranquilo se sacrificar assim só pode ser brincadeira. Queria saber quem faria o mesmo, se estivesse no lugar dele. Eu é que não.

    Enfim, usando as palavras do autor da matéria do início, if you use your brain and think about it, faz todo o sentido do mundo os cristãos comemorarem a páscoa. Sem a páscoa, eles simplesmente não seriam cristãos, da mesma forma que, sem a fuga dos hebreus do Egito, o judaísmo não existiria, oras.

Comentários

  1. Leo,

    parabéns pelo blog, estarei acompanhando-o
    sempre q possível. Tomara q o senhor atualize-o pelo menos uma vez por semana.

    Criei este perfil com um nome muito comum para que as pessoas não saibam o que eu tou lendo pela internet.

    Abraço!

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  2. Eeee sigo seu blog agora. Mas tem que postar.
    Pra mim os cristão podiam ser cristãos ,sendo verdade ou não que ele reviveu (ressuscitou, no caso de não ter morrido novamente) o que vale é a mensagem.. Mas as pessoas são mais apegadas ao conto.

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