Uma retratação
Faz muito tempo que não escrevo nada aqui, mas volto para fazer nesta postagem um erratum da minha postagem anterior. Lá escrevi o que acho que pensei ser uma crítica, o que foi uma tremenda arrogância da minha parte. Eu nunca mais terei tempo suficiente para estudar o mínimo necessário para fazer uma crítica sobre o que quer que seja. O máximo que posso é dar uma ou outra opinião baseada no meu olhar, sempre míope, sobre qualquer obra artística. Nunca terei a erudição necessária, a qual gente que leva isso realmente a sério passa vários anos para adquirir.
É muito fácil na internet dar "pitaco" sobre tudo e fingir que entende sobre o que está falando. Esta postagem serve como um disclaimer: tudo o que eu escrevo aqui não passa de "pitaco" de alguém que não possui nem 10% do conhecimento necessário para ser levado a sério. Digo isso porque creio que seja moralmente preferível reconhecer a própria ignorância, pois a realidade é melhor que qualquer fantasia, visto que a primeira possui uma qualidade que a outra não tem: A realidade é real. Eu poderia discorrer mais sobre o assunto, penetrando no terreno da ética, mas não quero fazê-lo agora.
Meu arcabouço é muito pobre para elaborar um juízo de valor estético sobre uma música, uma pintura, uma escultura ou até sobre uma obra literária. Lembro-me de, aos 16 anos, tentar ler o Ulisses de Joyce, no que fracassei fragorosamente. Hoje consigo perceber o motivo: eu não tinha, e ainda não tenho, os requisitos mínimos para apreciar a obra em sua totalidade. Eu teria que, no mínimo, ter um conhecimento profundo da língua inglesa e da literatura nessa língua, bem como saber o que se passa na Odisseia. A obra de arte superior nunca é fechada em si mesma; ela sempre dialoga com tudo o que veio antes: é o tal "subir nos ombros de gigantes". Para ter uma experiência estética completa, é necessário também subir nesses ombros e ver a paisagem que o artista está nos apontando.
Isso não quer dizer que eu vá parar de dar minha opinião sobre qualquer assunto, inclusive sobre arte. Qualquer pessoa possui a capacidade de sentir o impacto causado por uma obra artística. E eu sempre gostei de falar sozinho mesmo, desde menino.

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