Amor pela Sabedoria

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Photo Credit: Todd Lapin at Flickr

Por esses dias percebi que meu interesse passageiro por epistemologia talvez venha a se tornar algo um pouco maior e mais sério.

Explico. Por causa das minhas leituras em epistemologia, comecei eu mesmo a pensar e filosofar, o que é comum quando eu estou lendo algo novo em que eu esteja interessado. Não costumo ser um receptor passivo de informação; sempre me pego pensando e processando aquilo que estou lendo e isso já virou hábito. No entanto, perdido nesses pensamentos, pensei ter encontrado a solução para um problema filosófico de 50 anos.

O mais importante aqui não é se eu realmente encontrei ou não tal solução, pois ainda não imaginei todas as consequências da minha ideia (tudo pode redundar num paradoxo devastador no fim das contas); o que realmente importa é o que eu decidi fazer depois disso. Fiquei empolgado com a ideia e fui ler mais sobre outros ramos da filosofia. Descobri na casa da minha namorada um tesouro: uma coleção com obras completas de vários filósofos, de Platão a Wittgenstein. Comecei a ler um livro que falava sobre a história da filosofia discutindo alguns filósofos que o autor achou mais importantes e aí veio a epifania.

Eu nunca tinha raparado, mas estamos cercados de filosofia na nossa vida. Há filosofia nas nossas opiniões, na forma de fazermos política, na nossa religião ou na nossa falta dela, e até nas nossas ações. Pensamos ser muito natural certas coisas serem como são, mas não imaginamos que alguém precisou dizer que as coisas sejam assim. Por exemplo, a caridade e a misericórdia só passaram a ser consideradas nobres com a filosofia cristã (aliás, toda a ideia por trás dos anos de estudo e do celibato dos sacerdotes católicos vem da república utópica imaginada por Platão); toda a organização do estado moderno ocidental vem dos pensadores iluministas; e os princípios do método científico foram imaginados por filósofos pré-socráticos como Demócrito na Grécia e retomados e aprofundados no Renascimento.

Devo ter experimentado o mesmo tipo de epifania que um não-físico tem quando percebe o poder transformador que a ciência em geral, e a física em particular, teve sobre a humanidade: mudamos em 500 anos muito mais do que durante todo o resto da existência humana.

Trocando em miúdos, creio que me apaixonei irrevogavelmente pela filosofia e talvez isso se transforme em mais do que um simples hobby. Não vou abandonar a física por causa disso, até porque viver de filosofia é um luxo que muita gente formada no assunto não possui. No entanto, filosofar vai ser minha segunda paixão. Quanto a nunca ter feito um curso disso, é possível que autodidatismo funcione. Além do mais, existem alguns filósofos autodidatas (e que viviam de outras carreiras paralelas). Só sei que tomei gosto pela coisa e sinto que isso não é passageiro. De certa maneira, é uma forma de dar pitaco em vários assuntos, como sempre gostei de fazer.

Comentários

  1. Muito Bom!
    Acho que precisamos de mais idas no amigão. Serginho anda lendo filosofia também e me falou coisas muito parecidas esses dias.
    :P

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  2. Cris Abreu12:08 AM

    Adorei o texto. Você deveria levar a sério e publicar, em outros suportes, as coisas que escreve.
    Parabéns!

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